Alguém não quer receber um convite da Playboy?

Estão falando tanto da história das moças posarem para a Playboy que eu fiquei com vontade de dar minha opinião.

Quando eu era pequena meu sonho era ser Miss Universo.

Eu brincava de Miss com minha irmã e meus primos. A gente fingia concursos, mudava de roupas, fazia desfiles. Tinha até uma faixa que minha mãe bordou escrito em letras douradas, em inglês: “Miss Universe”.

Eu tinha uma coleção de revistas com fotos dos concursos de Miss Brasil e outras misses que misteriosamente sumiu numa mudança que a gente fez.

Eu adorava a coisa de usar a corôa, o manto, os vestidos de festa e a faixa, sempre a faixa.

Por mais que fosse inteligente, culta, profissional, sempre dentro de mim havia aquela menininha que gostaria de ser a Miss Universo, a moça mais bonita do mundo.

Eu posso falar por mim. Hoje em dia, ser convidada para sair numa revista como a Playboy, que é uma revista fina, teoricamente de bom gosto, equivale a ser reconhecida como “a garota mais bonita do mundo” daquela edição.

Por mais que a autoestima seja boa, um reconhecimento público desses faz muito bem. E eu pergunto: que mulher, mesmo lá no fundo, não quer ser reconhecida assim?

Eu quero.

Atire a primeira pedra a mulher que não gostaria de ser “a mulher mais bonita do mundo”. Independente de inteligência, de poder, de dinheiro, de tudo. Como também acredito que deva ter um equivalente masculino para isso. Deve haver algo que os homens também queiram ser. O mais “fodão”, ou o mais poderoso, sei lá o que eles pensam.

Isso de ser reconhecida como bonita bate fundo nos nossos instintos mais básicos, eu acho. Algo ligado ao sexo, reprodução da espécie, instinto de sobrevivência. Por isso acho que pega tanto na mulherada. Vide a indústria da beleza para prolongar a juventude. Eu sinto isso, porque eu luto contra a idade do jeito que eu posso.

As feministas de antigamente eram contra os concursos de misses e são contra as revistas que expõe mulheres nuas. Eu não sou contra um instinto básico do ser humano. Sou a favor.

Não são todas as mulheres que aparecerão na Playboy nem serão misses. Para as que nunca terão esse reconhecimento público, cabe a nós nos conhecermos, ficarmos tranquilas conosco, satisfeitas. Não desdenhando um instinto, mas assumindo-o e cultivando dentro de nosso universo próprio. E nos tornando a “garota mais bonita do mundo que eu posso ser para mim”, e sendo feliz consigo mesma.

Para as que vão aparecer na Playboy: divirtam-se e aproveitem o máximo! Dou o maior apoio!

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  • 3 Comments »

    1. Li you gobsmacked me. Not that I ever had the same dreams as yours but it really takes a special woman to have the guts to say it all.

      Thank you so much for you kindness. Know what? It was like a mom’s kiss!

      All the best to you,
      Cris

      [Responder]

      Comment by Cris Zimermann — September 26, 2007 @ 3:56 pm

    2. [...] Somente uma mulher especial e bem resolvida poderia definir tão bem o que um convite, apenas um con… [...]

      Pingback by Virtual Entrepreneur - Small Business Opportunities For Entrepreneurs — September 26, 2007 @ 4:06 pm

    3. Concordo com a Cris, Liliana, seu texto ficou excelente. Acho que tem, sim, esse lance de autopreservação, preservação da espécie e coisas do gênero. Sacana pensar assim? Pode ser, mas não é a única sacanagem da vida…

      [Responder]

      Comment by Enio Luiz Vedovello — September 27, 2007 @ 1:45 pm

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