
Em primeiro lugar quero dizer que estou brava com a conexão da pousada e com o Flickr Uploadr. Está praticamente impossível subir fotos e videos para o Flickr e para o Videolog. Tenho tirado muitas fotos e filmado coisas legais para vocês mas está muito difícil subir as imagens. E quando sobe uma foto, sobe 2, 3 vezes a mesma foto. Isso está atrapalhando muito a experiência que eu queria passar para vocês daqui.
Dito isso, vamos ao relatório das atividades…
A reforma da casa no Reduto começou. Desmontaram a casa inteira e só sobraram as paredes de taipa. Prometeram que tudo ficará pronto em 70 dias contando de segunda-feira que vem, amanhã. Vamos ficar em cima, certo? Assim, poderei me mudar definitivamente com mudança e cachorros na primeira quinzena de dezembro.
O chefe dos pedreiros é o Jonas e todo mundo fala que ele é legal, caprichoso e de confiança. Parece que escolhi bem.
O Povoado do Reduto, onde vou morar, fica a 5 km do centro de São Miguel do Gostoso e é supertranquilo. Fica a pouco menos de 2 km da Praia de Tourinhos.
Numa das vezes que fui jantar na Madame Chita da Rosana, uma creperia que tem aqui na Praia do Maceió, conheci o Humberto Macaíba, um bugueiro antigo de profissão (84 9953 1374).
Eu entrei em contato com essa profissão de bugueiro com o Sebah, que trabalhou na Pipa antes de se mudar para cá. E achei muito interessante.
Esses bugueiros equivalem aos antigos guias dos filmes que levavam os caçadores desbravadores na África para cima e para baixo através de terras desconhecidas. Ou os índios que guiavam os americanos indo para o oeste bravio. No caso do Macaíba, ele entende a natureza do local e é um só com seu buggy há mais de 17 anos. O buggy é uma extensão do bugueiro.
Pois Humberto resolveu que ia me mostrar o por do sol. Me arrancou a força do computador e ficava dizendo: você tem que rever seus conceitos…
E eu tentando explicar para ele que eu me divirto com o que eu faço, se não não estaria fazendo…
Fomos para a Praia de Tourinhos, perto de minha casa com o sol já baixando, pela areia, claro. Muita música no som do buggy.
Tirei fotos lindas. Filmei o por do sol. Filmei tudo em volta.
Ele me convida para abrirmos um negócio de turismo: você fala inglês, você vai de guia. Eu dou risada. Respondo, vamos ver… Deixa eu me instalar primeiro.
- Vamos para Galinhos segunda-feira. Vou levar uns turistas e voltar na terça. Tem pousada barata lá, com internet.
- Quero por meu buggy na areia…
- Vamos pra Porto de Galinhas então… Pipa… Quero ver como seu buggy se comporta. Você precisa ter aulas de buggy.
Humberto propõe sociedade num negócio de turismo.
- Mas Humberto, eu não quero mais trabalho…
- Com seu jipe…
Eu dou risada…
Percebo que aqui dá para fazer qualquer coisa. As opções são infinitas. No dia que eu quiser montar uma operação de turismo com gringos, é só falar com o Macaíba.
Na volta, ele para num coqueiro, abre a tampa do motor e pega um facão. Abre dois cocos e a gente se farta. Na beira da estrada. Me lambuzo toda.
De volta a Xepa, ele acende um fogo na praia e põe para assar um robalo. Enquanto comemos petiscos de lagosta no Jardim do Seridó do Rogério.
- Vida dura a nossa. Fala Rogério.
- A vida tem o bom e o ótimo. Fala Humberto.
Eu concordo…
Deitado na rede, tomando cerveja, Macaíba fala a frase que fecha o dia: às vezes é chato ter bom gosto…
-Gostei da frase. Posso usar? “É chato ter bom gosto.”
- Pode. Mas é “às vezes”. Porque se a gente não fala “às vezes” pode parecer arrogância… E dá risada… Como quem sabe os segredos da vida.
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