Quem?

Liliana | Admirável Mundo Velho, Blogworld, Política não vivemos sem. | Friday, July 4th, 2008

O Políbio Braga abriu um processo contra o Nova Corja, mas eu não conheço o Políbio Braga nem seu site, seu blog ou seu jornal. Nunca ouvi falar em Políbio Braga, você já?

Então entre aqui e conheça tudo o que eu sei do Políbio Braga.

OBS: post completamente motivado pelo fantástico processo do Políbio Braga contra um blog. Nem preciso dizer o que acontece quando um monte de gente lincar o nome do Políbio Braga apontando para o blog que ele está processando (GOOGLE BOMB!!!)

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  • Transtorno Por Mortificação

    Em Homeopatia às vezes damos nomes diferentes a doenças que não são bem descritas pela medicina alopática.

    O Transtorno por Mortificação é um desses casos.

    Mortificação (Houaiss)
    Datação
    sXIV cf. FichIVPM  

    Acepções
    ? substantivo feminino 
    1    ato ou efeito de mortificar(-se); entorpecimento, prostração 
    2    abatimento psíquico ou moral ocasionado por desgosto, insatisfação 
    3    flagelação do corpo através de penitências, jejuns etc., como meio de inibir certos desejos; tortura, maceração 
    Ex.: m. da carne 
    4    repressão, refreamento de determinados sentimentos 
    Ex.: percebera que era preciso dar atenção à m. das paixões 
    5    Rubrica: neurologia. 
         perda parcial da capacidade motora voluntária de um músculo 
    6    Rubrica: patologia. 
         estado de um tecido orgânico que se encontra morto; necrose, gangrena 

    Etimologia
    lat. mortificatìo,ónis ’morte, destruição’ (de mortificáre ’dar a morte’); ver mor(t)- e -ficar; f.hist. sXIV mortificaçom, sXVmortifficaçom, sXV mortificaçõ

    Sinônimos
    ver sinonímia de desgosto e martírio

    Como podem ver pela descrição do dicionário, mortificação é uma situação de desgosto constante na qual não podemos fazer nada basicamente. E o ser como um todo sofre fisica e emocionalmente levando à sinais e sintomas e a um prejuízo do nosso dia a dia em qualidade e intensidade.

    E como tratar o Transtorno por Mortificação?

    A primeira coisa é sair da situação que nos mortifica. E às vezes só o tempo para isso. Então, usa-se paliativos para podermos passar o tempo da melhor maneira possível até a situação acabar.

    E se não é possível modificar a situação? Então é necessário todo um trabalho de adaptação à nova situação de vida para que o que nos mortificava não nos atinja mais.

    Assim, a abordagem depende de se saber se aquela situação de desgosto é temporária ou não.

    Estou escrevendo este texto porque hoje eu finalmente saí de uma situação que me colocou num transtorno por mortificação por longos seis meses com prejuízo de minha vida particular.

    Eu não escolhi a situação, fui jogada nela. Porém, sabia que ela iria acabar em seis meses e tentei fazer o melhor possível nesse tempo. Mas, no fundo, a situação de desgosto me consumia e me entristecia. E hoje, pelo alívio que estou sentindo e pelo tamanho do sorriso que está no meu rosto, posso ver o quanto isso me atrapalhou.

    Fico triste que nesses seis meses pude ver quem era meu amigo ou não. E muita gente não passou no teste.

    Agora, estou nova em folha para começar de verdade a nova fase da minha vida só com coisas boas.

    Como diria o Chapolim: sigam-me os bons!

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  • Do Direito De Não Te Convidar

    Liliana | Admirável Mundo Velho, Etiqueta ou o Óbvio Repassado | Monday, June 30th, 2008

    Esse caso do menininho que não quis convidar dois coleguinhas para sua festa de aniversário e deu o maior quiprocó na Suécia me chamou bastante a atenção.

    O tal garotinho fez questão de não convidar na frente de todos os outros amiguinhos dois desafetos: um deles já não tinha convidado para sua festinha de aniversário, então ele apenas retribuiu o “não-convite” e o outro, havia brigado com ele, eram inimigos.

    Pois a escola e os tais desafetos se sentiram discriminados na hora da distribuição dos convitinhos, como se ele tivesse obrigação de convidar a todos os coleguinhas da classe, mesmo quem ele não quisesse.

    O caso ganhou os tribunais!

    Pode?

    Na Suécia, pode.

    Os limites do “politicamente correto” neste caso foram francamente ultrapassados no quesito liberdade do menininho de demonstrar sua insatisfação com seus desafetos.

    Ninguém deve ser obrigado a convidar outra pessoa de quem não se goste em nome da política de boa vizinhança ou por ser o “socialmente mais legal”.

    As pessoas não estão acostumadas a confrontos. A hipocrisia e a mentira reinam por todo o lado, inclusive na Suécia. Se alguém não quer ser hipócrita e demonstrar seu desagrado com outrém, é tratado como bandido.

    Se todos estimulassem que as ações viessem à luz da verdade para que seus resultados fossem sentidos e absorvidos, o mundo seria melhor.

    Eu conclamo meu direito de mostrar minha insatisfação com você e não ser hipócrita. Se você pisar na bola comigo eu não vou sorrir e dar tapinhas nas costas enquanto falo mal de você por trás. Você saberá que me desagradou. E espero que a recíproca seja verdadeira. Isso economiza tempo e energia.

    Não é muito mais fácil assim?

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  • Reforma

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Thursday, June 26th, 2008

    Hoje vou comprar uma porta antiga para meu consultório. Daquelas duplas de madeira com aplicações de ferro trabalhado e janelinhas de vidro. Vai ficar entre a sala de espera e minha sala de atendimento.

    Na sexta o pessoal do piso vai começar. Vai ser de cimento queimado cinza.

    E também vão colocar molduras nas janelas. Todas brancas para disfarçar o alumínio do prédio comercial modernoso.

    A parede que separa minha sala é de gesso. Nunca imaginei em fazer desse material. O isolamento acústico é excelente. E é mais barato que alvenaria e faz menos sujeira. Foi bom contratar a arquiteta.

    O problema são os móveis.

    Pedi para virem de São Paulo do depósito. Mas não sei se virão. Dependem da boa vontade de alguém que não tem boa vontade.

    São meus mas não tenho acesso a eles.

    Vida complicada essa.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Tem de tudo nessa Internet maravilhosa | Tuesday, June 24th, 2008

    Acabei de saber. Que pena.

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  • Coisas Ruins Acontecem Com Gente Boa O Tempo Todo

    Liliana | Admirável Mundo Velho | Sunday, June 22nd, 2008

    Lembrei de um caso que aconteceu há muito tempo, quando eu era R4 de neurocirurgia.

    Engraçado como não conto nada da minha vida passada aqui. Bem, mas vou contar.

    Estava de plantão a distância, dando suporte para o R1 ou 2, não lembro, pois eu era a chefe da equipe e era um domingo. E fomos almoçar na casa da minha sogra, meu marido e eu.

    Depois do almoço, a mãe do meu marido na época pediu para ele subir no telhado da casa para consertar a antena da televisão porque a recepção estava ruim.

    Eu não deixei. Fiquei brava e falei que não ia permitir que meu marido subisse num telhado. E fui muito enfática quanto a isso a ponto de todos desistirem da idéia.

    Logo em seguida o hospital me chamou: era uma emergência, um trauma grave que eu precisava avaliar e os residentes mais novos necessitavam minha ajuda.

    Quando cheguei a UTI do pronto socorro encontrei um homem jovem com um severo trauma cranio-encefálico, em coma profundo, já no respirador. 

    Olhei seus Raio-X e eles mostravam fraturas enormes que cortavam todo o crânio de lado a lado. Muito feias.

    Enquanto eu estava lá, eu tinha que decidir se faríamos angiografia cerebral, porque não tínhamos tomografia (isso faz tempo) e se era caso de operar. Mas o paciente estava muito mal.

    Estava morrendo.

    Logo em seguida, toda sua cabeça ficou edemaciada e vermelha indicando um aumento da pressão sanguínea intracraniana e no segmento craniano na última tentativa de fazer circular sangue no cérebro. 

    Depois de alguns segundos nessa situação, a cor voltou ao normal e ele estava em morte cerebral.

    Para um neurocirurgião o homem já estava morto. Eu havia acabado de presenciar sua morte.

    Saí da pequena UTI e fui conversar com a família e dar a péssima notícia, que não havia mais nada a fazer. Que agora era só questão de tempo para o coração parar de bater.

    Meu trabalho no hospital havia acabado e eu podia voltar ao almoço de família.

    Porém, levei cópias dos Raios-X do paciente de lembrança e dei de presente para minha sogra.

    O homem que havia acabado de morrer tinha ido almoçar na casa da mãe dele e ela pediu que ele subisse no telhado para consertar alguma coisa. Ele subiu. Caiu. E morreu.

    Eu conversei com a mãe dele.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Filmes, TV e Séries, Filosofando | Sunday, June 22nd, 2008

    Ontem eu fiz uma mágica no computador que envolve downloads e torrents e vi os tais episódios de House.

    É. Legal. Mas não achei nada de mais. 

    House foi House.

    Eu achei que ele tinha um caso com a Amber porque só isso justificaria o Wilson ficar tão bravo a ponto de perder a amizade.

    Ela só foi buscá-lo no bar. O amigo bêbado do marido. Foi uma acidente. Ele não tem culpa do ônibus ter batido.

    Qual o drama aí?

    Foi um puta azar, isso sim. Mas como diz o I Ching, sem culpa.

    Daí vocês poderiam dizer que se ele não bebesse nada disso teria acontecido.

    Mas o Wilson já era amigo dele do jeito que ele era, bêbado e drogado. 

    Foi azar.

    Como ele falou, é randômico.

    Eu vejo a vida como House: a vida é randômica. Nada mais que isso.

    Sem culpas, sem predestinações, sem carma, sem leis de causa e efeito. Pura e simples randômica.

    Se Wilson culpar House por alguma coisa,  que pode acontecer, porque Wilson não é House e talvez a visão dele seja diferente, a série talvez fique um draminha meio bobo. Espero que não aconteça. 

    É uma boa série, sem dúvida.

    Valeu ter visto.

    Realmente o que chamou a atenção foi a culpa de House. Ele sim assumiu a culpa durante os dois episódios, coisa anômala. Mas no final, na conversa final com Amber ele volta às suas convicções de que a vida é randômica mesmo e que ele não tem culpa e vive.

    As coisas são como são.

    Coisas ruins acontecem com gente boa. O tempo todo.

    E os caras maus nem sempre se dão mal. É um fato. 

    Essa é uma verdade da vida nem sempre fácil de se conviver numa boa. Por isso que tanta gente precisa de religião. Para explicar, justificar.

    Para pessoas como eu, que não tem a religião como suporte, vemos a vida de uma forma meio dura e fria: as coisas acontecem e pronto. Randomicamente. Pode acontecer com qualquer um, a qualquer hora, sem razão nenhuma.

    Eu trabalhei com emergências durante bom tempo e vi isso acontecer. Você está vivo e logo depois você está morto.

    Os críticos de pessoas como eu sempre mencionam: e se acontece comigo? Eu continuaria a pensar do mesmo jeito? Eu não me voltaria a uma estância superior, não buscaria conforto em deus, na religião ou coisa parecida?

    Pois coisas ruins já aconteceram comigo e eu não me voltei a nada porque não acredito que há nada. Quando estamos próximos à morte há um silêncio muito grande e uma solidão enorme. E eu tive mais que certeza que foi tudo por acaso. Randômico. Eram coisas ruins acontecendo com uma pessoa boa.

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    Ontem um dos blogs que eu leio, o Papo de Homem publicou um post sobre Aborto.

    Eu odiei o texto porque o autor, um leitor convidado, foi muito infeliz ao escrever sua opinião e eu achei que por ser um assunto tão importante, o PdH poderia tê-lo apresentado de outra forma, com mais qualidade e informação. Uma pena. Um desperdício de espaço virtual e de tempo de quem leu o tal post.

    Independente se sou contra ou a favor do aborto, a questão primeira que defendo sempre e continuarei defendo é a LIBERDADE INDIVIDUAL DO SER HUMANO DE GERIR SUA PRÓPRIA VIDA.

    Quanto mais desenvolvida uma sociedade e seus participantes, precisaríamos de menos leis que a regulassem, teoricamente. Pois as pessoas se auto-regulariam. Isso é totalmente utópico, anárquico. Mas a anarquia parece que é a forma mais avançada de organização social. Por isso estamos longe dela.

    Mas todo passo em direção à liberadade individual é bem-vindo.

    Hoje, o Estado decide por nós várias coisas. O que podemos ou não fazer. Não temos autonomia de decisão sobre nosso corpo.

    Por exemplo, seria meu direito andar de moto sem capacete e ter minha cabeça esbugalhada no asfalto se eu quisesse. Mas a Lei não o permite. Seria meu direito andar sem cinto de segurança e ser arremessada do carro numa batida, mas a Lei não me permite. Esses são exemplos corriqueiros de como o Estado interfere em minha liberdade individual. O mérito do porquê ele o faz, não importa. Mas ele o faz.

    Como ia dizendo, eu defendo a liberdade individual, para a pessoa fazer o que bem entender consigo mesma, sem interferir com outros.

    Hoje no Brasil é negado o direito de escolha às mulheres do que fazer no caso de engravidarem. A única opção é que levem suas gravidezes a termo salvo no caso de estupro ou risco de vida da mãe me parece.

    Isso que me incomoda: a falta de liberdade de escolha. A imposição de um resultado.

    Cada indivíduo, na minha opinião deve poder decidir sobre as questões fundamentais de sua vida. E ter uma filho é uma questão fundamental. O Estado não é capacitado para decidir isso por ninguém.

    Permitindo a liberdade de escolha, daí sim o indivíduo poderá formular sua decisão baseada em suas próprias convicções morais, religiosas, éticas, culturais, psicológicas, financeiras.

    Não precisamos de um Estado paternalista. E sim de um governo que nos respeite.

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  • Querida Tia Rosa

    Liliana | Admirável Mundo Velho, Blogworld | Sunday, June 15th, 2008

    Querida Tia Rosa,

    As férias aqui na montanha estão sendo muito agradáveis. Aquele meu probleminha de palpitações no meu  coração está sendo curado pois tenho seguido um dieta especial. Já não fico nervosa como antes.

    A novidade que tenho para contar-lhe no entanto é que conheci um jovem completo, de caráter muito firme. Ele diz que sou a melhor menina do mundo. Embora me sinta bem pequena quando converso com ele, já trocamos algumas impressões. E quando estou em sua presença confesso que fico exaltada.

    Tia, por favor, peça à prima Regina que venha se juntar a mim logo e traga boa leitura pois quero ter algo interessante para ler. Eu tenho muito carinho por Regina, moça tão sentimental mas que não flerta de jeito nenhum. Eu já sou mais eclética e flerto um pouco. Mas Regina e eu compartilhamos do prazeres delicados e nunca nos entediamos quando estamos sós.

    Sinto-me um pouco fatigada e assim, vou voltar ao que estava fazendo.

    Beijos de sua sobrinha,

    Gabrielle

    Tradução do texto aqui. (Não resisti. Eu sei que é infantilidade minha. Mas dane-se. E o meu exemplar chegou e é ótimo.)

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  • Monty

    Liliana | Admirável Mundo Velho, Blogworld, Filmes, TV e Séries | Saturday, June 14th, 2008

    Dando uma de MarinaW no Blowg

    Montgomery Clift.

    Um gato.

    Problemático.

    Morreu com 45 anos.

    Puta ator.

    Todo mundo só fala do James Dean.

    Eu gosto mais do Monty.

    (Por que que a gente gosta dos complicados?)

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  • Eu Sou A Favor

    Ontem eu fiquei tão feliz com uma certa notícia que eu soube. Vou contar tudinho para vocês.

    Infelizmente não posso dar nome aos bois. Vocês vão entender.

     

     

     

    (Texto auto-censurado porque não quero ir para a cadeia.)

     

     

     

    Ainda bem.

    Fiquei feliz.

    (E vocês também ficariam se soubessem.)

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Filmes, TV e Séries | Friday, June 13th, 2008

    CUIDADO! CONTÉM SPOILERS!

    Era o que me faltava ver este filme no Dia Dos Namorados.

    Eu queria fazer um programa leve, me distrair do fato de passar o primeiro Dia dos Namorados sozinha em 25 anos e caí numa armadilha.

    Em vez de me divertir, este filme foi uma tortura.

    Eu juro que tentei prestar atenção nas roupas e sapatos, que estão bárbaros. Mas na verdade, o filme é a história de 4 quarentonas com problemas de mulheres na faixa de seus quarenta anos e adivinhem. Será que eu me identifiquei com elas?

    Não dá para fazer um filme de contos de fadas com mulheres de quarenta e tantos anos.

    Principalmente se a gente pensar que as 4 personagens são facetas de todas nós. Ninguém é uma só. Temos nosso lado Carrie, o lado Samantha, o lado Charlotte e o lado Miranda.

    E foi identificada com a Carrie que comecei vendo o filme: ela escrevendo em seu Macbook, profissional, resolvida, em seu apartamento. E as semelhanças acabaram aí e um filme psicodélico para minha cabeça que me lembrou meus vinte e um anos passou tudo de novo. Ela entra numas de casar de véu e grinalda com o Big para morar numa pent-house maravilhosa na Quinta Avenida. Coisa de sonho e de me fazer morrer de inveja. Nessa hora do filme eu quis morrer.

    Quando Big não aparece para o casamento e a decepciona eu voltei a um terreno mais atual, real e que eu pudesse me identificar de novo. Que alívio.

    A depressão, o sofrimento, a decepção, as esperanças estraçalhadas. Isso sim eu entendo.

    Miranda casada já não faz sexo com o marido. A vida profissional, o filho, as circunstâncias os afastaram. Também já vi este filme. Traição, separação, mágoa. Miranda infeliz destila veneno contra o casamento.

    Charlotte é a única que está feliz. Todos os seus sonhos se realizaram. Até o da gravidez tão desejada. E até ela desempenha um papel importantíssimo em nossa psique: o da culpa de ser feliz e daquela pessoa que tem medo. Todos temos medo de sermos felizes e por causa de nossa felicidade achamos que então algo de mal vai acontecer. Não podemos acreditar que sim, está tudo bem. É isso mesmo. Estamos felizes e não tem nada de errado em ser feliz. Sem culpa, como diz o I Ching. Este é o sofrimento de Charlotte.

    E Samantha?

    Ahh, Samantha…

    Quando eu fiz o tal teste “Que personagem de Sex And The City você é?” meu resultado foi Samantha. 

    Eu não passo nem perto do desprendimento sexual que Samantha demonstrou em toda a série da televisão. Porém, eu era a Samantha do filme sem tirar nem por.

    E isso acabou comigo.

    Samantha está num relacionamento estável com Jerrod. Eles se amam. E a vida dela, pasmem, passa a girar em torno da dele. Samantha é movida a energia sexual e ele como único parceiro e única fonte de descarga dessa energia fica como o farol da vida dela. Ela começa a sublimar esta energia sexual: comendo, daí engorda e, se apegando a um cachorrinho, seu novo objeto de carinho.

    Quando perguntam para ela quando ela foi feliz, a resposta: há seis meses.

    Claro que no final ela fala para Jerrod: “Darling, I love you, but I love me most”, ou algo parecido. E acaba o filme sozinha, gorda com o cachorro.

    Miranda perdoa o marido traidor e volta para o Brooklin. Claro, foi tudo culpa dela ele a ter traído. Quem mandou não fazer sexo com ele? Arre!

    Charlotte simplesmente perde a culpa de ser feliz, num estalo, rapidinho, superficialmente. 

    Carrie amarga meses detestando Big e por acaso encontra com ele e se joga nos seus braços e topa se casar na prefeitura. Claro, a culpa de tudo foi dela que o forçou a uma cerimônia de casamento que ele tinha trauma e por isso ele a abandonou.

    Carrie culpada, Miranda culpada, Samantha culpada.

    Foi um tal de assumir culpa que eu saí do cinema pesando quinhentos quilos e triste.

    Pensei: esse é um retrato de nós mulheres nos seus quarenta anos e eu estou fudida.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho | Thursday, June 12th, 2008

    Crazy- Aerosmith

    Duas garotas fugiram de casa em busca de aventura. 

    O mundo é dividido entre os que fazem e os que tem vontade de fazer.

    Para quem está do lado de cá da linha fica difícil de explicar para os que estão do lado de lá como é.

    A vida pode ser tão sem graça. Tão sem cor. Tão normal. Tão previsível.

    Que é como estar morto.

    Às vezes é preciso fazer um movimento brusco para sentir que há vida na gente.

    São os inconformados.

    Minha mala está pronta e agora eu pego a estrada. Não tenho idéia como serão meus próximos dias. Vou para meu curso, quero ver Sex And The City, vou dormir na casa de uma amiga. Sei lá.

    Eu sou só uma garota em busca de aventura.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho | Wednesday, June 11th, 2008

    Uma notícia me chamou a atenção por ser extremamente simpática.

    Vou explicar.

    A BBC noticiou que uns jurados de um caso lá na Austrália foram pegos em flagrante jogando sudoku porque o tal julgamento estava um tédio.

    Eu entendo perfeitamente os caras.

    Olhem bem: o julgamento já durava 3 meses. Tinha 105 testemunhas. Cento e cinco!

    E o crime? Os bandidos estavam sendo julgados por produzir anfetamina. Coisa chata. Nem era um assassinato escabroso, cheio de detalhes horríveis e interessantes.

    Daí que os jurados, depois de 3 meses convivendo todo dia, já ficaram amigos e coisa e tal. Levaram o sudoku para o tribunal. Tiraram xerox do jogo e distribuíram entre eles e resolveram jogar durante os depoimentos para depois comparar os resultados no intervalo.

    Tipo turminha.

    O treco tava chato, né?

    Mas por causa disso anularam o julgamento.

    A tortura vai começar tudo de novo. E chama de novo as cento e cinco testemunhas e gasta todo o dinheiro de um novo julgamento tudo outra vez.

    E o tédio vai se instalar novamente.

    E vai ter um pentelho que vai ficar prestando atenção na direção da escrita da caneta dos jurados (foi assim que descobriram a turminha jogando sudoku) para ver se eles estão anotando anotações do caso ou se estão jogando sudoku, batalha-naval, forca ou “stop”.

    Impressionante como tem gente pentelha no mundo.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Tem de tudo nessa Internet maravilhosa | Wednesday, June 11th, 2008

    Quando eu era adolescente, lá pelos anos oitenta, eu adorava uma cantora e em especial um música brasileira que ela cantava. Fiquei triste quando perdi o elepê dela com a música. Coisas da vida.

    Pois fiquei extremamente feliz de encontrar esta pérola maravilhosa de novo no YouTube. E quero compartilhar aqui com vocês.

    Eu escutei muito esta música. Chorei, sorri, fiquei enlevada com ela.

    Com vocês, Joan Baez e Manhã de Carnaval:

    Joan Baez - Manhã de Carnaval

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