Quem vem me visitar não conhece apenas minha casa, fica conhecendo também os meus companheiros que moram comigo: meus cachorros.
Eles são tão importantes quanto qualquer pessoa que pudesse estar morando aqui, pois têm personalidades e presenças tão ou mais fortes e complexas que muita gente que já conheci durante minha vida.
Para que eles pudessem desabrochar em seres tão completos, acredito que houve de minha parte uma abertura e uma aceitação tal que não podei suas manifestações individuais. Muito menos forcei comportamentos meus, deixando-os livres para se manifestarem como seres dotados de inteligência, sentimentos, pensamentos organizados, memórias e experiências próprias.
Assim, as pessoas que chegam aqui em casa, encontram uma casa cheia com quatro seres distintos. Não apenas com uma mulher. E sim, com três caninos e um humano, todos espaçosos e igualmente inter-relacionáveis.
Meus cachorros são adultos. Passando os dez anos de idade. Isso significa que cada um, como eu, têm sua rotina própria. Eles são independentes de mim tanto quanto possível alguém que nos ama é independente. Nos relacionamos durante o dia porém, cada um tem sua vida. Eles sentem falta de mim quando não estou tanto quanto sinto falta deles. No entanto, nas ausências, nós fazemos o que costumamos fazer quando não na presença do outro.
Dizem que o cachorro é a cara do dono. Eu fico orgulhosa de meus cachorros e se eles espelham minha personalidade, fico mais orgulhosa ainda pois vejo cães tranquilos, afáveis, fiéis, amigáveis, de personalidades marcantes e únicas, bem distintas.
Cada pessoa que vem aqui prefere um deles. Talvez se identifique com um em especial.
Tem quem prefira a Graça, a pastora preta. A que toma conta, a sempre alerta, um pouco tensa e ansiosa às vezes, mas que ronca como gente quando dorme profundamente ao nosso lado ouvindo nossas conversas.
Existem os fãs do Tai, o chow-chow que se comporta como um pequeno leão, majestoso, imponente, aloof, parado na porta sempre em guarda, sempre alerta e ao mesmo tempo, tão pequeno e medroso como um gato.
E há os adoradores de Gigio, o malaco adorável vagabundo, que até rendeu menção da Nospheratt em seu blog. O cachorro que pede e dá carinho como ninguém. Uma lição de vida ambulante: relaxe, não entre em pânico! Ele sabe a Resposta para a Questão do Universo, da Vida e Tudo O Mais.
Fico feliz que minha participação na vida desses cachorros tenha sido o suficiente para que eles tenham podido se desenvolver como indivíduos plenos e felizes. E que eles, por eles, tenham feito amizades com as pessoas que vêm aqui.
Ter animais conosco é uma escolha.
Eu escolhi conviver com eles, não subjugá-los.
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