O dia prometia ser agradável. Mas, começou mal.
Meu carro demorou 20 minutos para aparecer da garagem do hotel. Deu tempo de olhar no relógio do celular, fumar um cigarro e conferir o tempo de espera no relógio do carro. Enquanto isso, fiquei torrando ao sol na porta do Travel Inn Ibirapuera. Não seria tão desagradável se não tivesse acontecido a outra situação com meu carro na quarta-feira. Parecia brincadeira.
Já irritada, me dirigi à Bienal e ao cparty.
Na seção de cadastramento, fiquei esperando os funcionários incompetentes cadastrarem um dos blogueiros mais famosos do Brasil sem sucesso. Uma desorganização e uma política de empurra-empurra que nem a Lucia Freitas falando pelo celular com a mocinha da recepção adiantou.
Lá pelas tantas vi que havia um homem fumando perto da entrada junto aos seguranças e fui para lá fumar também para não me irritar mais. Pois os seguranças vieram falar comigo que eu não podia fumar alí. Mas o outro cara estava fumando alí agora mesmo! Então eu falei que sairia pela porta logo na minha frente ao lado deles e fumaria ao lado deles e pedi licença. Eles grosseiramente disseram que não. Que era para eu descer no andar de baixo para eu sair. Eu falei que eu não estava saindo do prédio. Que eu estava apenas ficando na porta, que estava vazia. Eles mandaram que eu saísse do prédio. Eu disse que eu não ia sair do prédio. Eles se juntaram, 3 seguranças enormes e encostaram bem perto de mim e disseram que iam me retirar do prédio e do evento. Eu voltei a falar com ênfase que ninguém ia me tirar dalí. E que eu achava aquilo tudo um absurdo. Como ninguém veio em meu socorro diante de um abuso descabido desses, eu joguei meu cigarro para fora da porta e subi finalmente para o andar de cima sem esperar o credenciamento de ninguém. Agora me arrependo de não ter fotografado os tais seguranças para fazer uma queixa formal.
Chateada, subi para o local que me foi indicado como permitido para fumar: o banheiro feminino.
E não deu outra: vieram reclamar que eu estava fumando lá.
Minha paciência se esgotou. Então quis saber onde era permitido fumar. Pois haviam me dito que teria local para fumantes, pois eu não me disporia a ficar trancada 7 dias sem poder fumar. Se não pudesse, nem teria ido. Nospheratt e eu saímos perguntando seriamente onde se pode fumar aqui. Ninguém sabia. “Mas tem que ter um lugar.” A Lucia Freitas milagrosamente conseguiu falar com um dos chefes da organização que destacou um espaço especialmente para os fumantes no andar de cima. Eu declaro que este espaço só saiu por pressão da Nospheratt, minha e da Lúcia. ( E dizem que um pessoa não faz diferença. Faz sim.)
Resolvido o problema do fumódromo, pude me dedicar a ver a feira em si.
Ontem conheci o Nick Ellis do Digital Drops, um amor de pessoa, e junto com ele, o Ian e o Cardoso, fomos passear no andar de baixo. A única coisa que valeu a pena por lá é o capuccino do stand da Microsoft, que é de graça e é gostoso. O resto, nada que se destaque. Um calor infernal que parecia que o ar condicionado não estava ligado a ponto de eu passar mal e ter que sentar e beber água. Deu para ver uns notebooks ridículos e feios e as únicas coisas que eu levaria para casa se pudesse seriam as inúmeras televisões de LCD nas paredes.
O ponto alto de ontem foi o debate entre “jornalistas”e “blogueiros”.
Essa é uma palavra que eu não aguento mais ouvir: jornalista.
Fala-se muito de jornalista e pouco de blogueiro neste evento.
Querem tanto que a “Velha Midia” esteja morta mas dão tanta importância para ela que desse jeito vai ser difícil segurá-la no caixão.
Volto a dizer aqui, como já disse várias vezes nesse blog que os blogueiros têm um sério problema de auto-estima. Nós não somos “jornalistas” apenas. Somos mais que isso. Nossos blogs, por mais que sejam de nicho, são essencialmente blogs. E blogs são livres. Como bem falou Manoel Netto: ”eu sou o editor, o repórter, o jornalista, o comentarista, o fotógrafo, o designer, eu sou tudo do meu blog.”
Como expliquei para a Ceila, nós blogueiros somos “personalidades” que se mostram nos blogs. Eu sou Chá de Hortelã. Existe a Nospheratt, o Contraditorium, o Tecnocracia, a LadyBug, o Digital Drops, somos ideologias próprias, um acumulado de funções diversas nos nossos veículos, linhas editorias de cada um. Enfim, é a nossa cara que damos a tapa.
E, por isso, somos aceitos ou não. Refletindo nisso em credibilidade.
E credibilidade é a palavra que mais jogam na nossa cara.
Se temos credibilidade? Claro que temos!
Dezenas ou centenas de milhares de leitores dizem que temos. E também a qualidade de nossos leitores dizem que temos credibilidade.
Eu não consegui assistir o debate até o fim. Confesso que estou velha e ontem estava particularmente irritada para ouvir certas bobagens. Eu tenho minha opinião e não vou mudar. Aqueles jornalistas têm a opinião deles e não vão mudar. Então deixa para lá. Não estavam me acrescentando nada.
Passeie mais um pouco, tirei várias fotos que vocês podem ver no meu Flickr, conheci finalmente o Enio, conversei com o Caloã e o dia acabou num restaurante na Alameda Santos de comida árabe com um pessoal.
E para encerrar os descalabros da organização do cparty, na saída, a porta que dá para o estacionamento, e pela qual saímos todas as vezes, estava fechada e todas as pessoas precisavam sair pela porta de trás do prédio, precisando dar a volta por todo o edifício da Bienal. Eu perguntei para os segurancas a simples pergunta: “quem teve essa brilhante idéia de fechar a porta que dá para o estacionamento?”
O zum-zum-zum começou.
Eu repeti a pergunta até que um segurança mais corajoso veio falar comigo. Ele disse que foi um dos organizadores. Daí eu perguntei por que haviam fechado a porta? E disse que queria entrevistar a pessoa responsável por tal decisão que atrapalhava todos os visitantes. Queria saber a razão, pois obviamente deveria ter uma excelente razão para tal determinação de fechar a porta que dava para o estacionamento. O segurança disse que eu não podia falar com ninguém. Daí eu saquei minha câmera e pedi para ele repetir isso para a câmera que eu filmaria dalí para frente.
O homem fugiu de mim.
Logo em seguida apareceu um organizador que não soube explicar porque haviam fechado a porta que dava para o estacionamento. Mas me ofereceu escolta de segurança para mim e meus amigos até o meu carro pois realmente era muito perigoso nós andarmos com nossos laptops durante altas horas da noite por aquelas bandas do parque. E que ele não tinha como abrir a porta do estacionamento para mim pois a mesma estava lacrada!
Hoje pretendo voltar ao cparty. Espero que meu humor esteja melhor, porque com certeza a organização de lá continua a mesma.
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