A Lei de Smurf

Liliana | Filosofando | Tuesday, June 24th, 2008

Todo mundo conhece a Lei de Murphy: “se alguma coisa pode dar errado, vai dar.”

Mas eu nunca tinha ouvido falar da Lei de Smurf: “você sempre vai se dar mal, como Gargamel.”

A Lei de Smurf pode parecer muito pessimista. Mas contém uma verdade verdadeira daquelas que está escrita no I Ching: tudo é cíclico e mais cedo ou mais tarde, o que sobe desce, o que está cheio esvazia e o que está bom acaba.

Tudo depende como a gente encara a tal Lei de Smurf.

Se eu vou me dar mal de qualquer jeito, faço ou não faço?

Vale a pena andar na montanha-russa?

Porque vocês já perceberam, nessa altura do campeonato, que a vida da gente é um grande passeio numa enorme montanha russa.

Tem gente que não embarca no carrinho nunca. E tem gente que não sai do parque de diversões. Mas querendo ou não de vez em quando damos as nossas voltinhas na montanha-russa que essa vida aleatória nos apresenta.

Procurar sempre se dar bem. ficar feliz o tempo todo num estado de alegria eterna é irreal. Ficar no topo da montanha para sempre é impossível. O ar lá em cima é rarefeito.

Como também ficar no fundo do poço é húmido, frio e escuro. Não bate sol. É insalubre.

O meio-termo, fora da montanha-russa, é o estado que conseguimos ficar por mais tempo e mais tranquilos. Quando nossas energias são economicamente usadas. E o estado que se experimenta no meio termo é a satisfação, a paz.

Acho que a grande sacada da vida é evitar que a subida da montanha-russa seja muito íngreme para que a descida não seja proporcional. E a oscilação do fiel da balança volte o mais rápido possível ao repouso.

Já expliquei que sou epicurista. Este estado ideal que descrevo é chamado ataraxia.

Porém, posso parecer paradoxal ao pregar a ataraxia e o mesmo tempo ser umas das maiores frequentadoras de montanhas-russas que conheço. 

É simples.

É que eu não fujo de uma boa volta quando a vida me convida para um belo parque de diversões.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Filmes, TV e Séries, Filosofando | Sunday, June 22nd, 2008

    Ontem eu fiz uma mágica no computador que envolve downloads e torrents e vi os tais episódios de House.

    É. Legal. Mas não achei nada de mais. 

    House foi House.

    Eu achei que ele tinha um caso com a Amber porque só isso justificaria o Wilson ficar tão bravo a ponto de perder a amizade.

    Ela só foi buscá-lo no bar. O amigo bêbado do marido. Foi uma acidente. Ele não tem culpa do ônibus ter batido.

    Qual o drama aí?

    Foi um puta azar, isso sim. Mas como diz o I Ching, sem culpa.

    Daí vocês poderiam dizer que se ele não bebesse nada disso teria acontecido.

    Mas o Wilson já era amigo dele do jeito que ele era, bêbado e drogado. 

    Foi azar.

    Como ele falou, é randômico.

    Eu vejo a vida como House: a vida é randômica. Nada mais que isso.

    Sem culpas, sem predestinações, sem carma, sem leis de causa e efeito. Pura e simples randômica.

    Se Wilson culpar House por alguma coisa,  que pode acontecer, porque Wilson não é House e talvez a visão dele seja diferente, a série talvez fique um draminha meio bobo. Espero que não aconteça. 

    É uma boa série, sem dúvida.

    Valeu ter visto.

    Realmente o que chamou a atenção foi a culpa de House. Ele sim assumiu a culpa durante os dois episódios, coisa anômala. Mas no final, na conversa final com Amber ele volta às suas convicções de que a vida é randômica mesmo e que ele não tem culpa e vive.

    As coisas são como são.

    Coisas ruins acontecem com gente boa. O tempo todo.

    E os caras maus nem sempre se dão mal. É um fato. 

    Essa é uma verdade da vida nem sempre fácil de se conviver numa boa. Por isso que tanta gente precisa de religião. Para explicar, justificar.

    Para pessoas como eu, que não tem a religião como suporte, vemos a vida de uma forma meio dura e fria: as coisas acontecem e pronto. Randomicamente. Pode acontecer com qualquer um, a qualquer hora, sem razão nenhuma.

    Eu trabalhei com emergências durante bom tempo e vi isso acontecer. Você está vivo e logo depois você está morto.

    Os críticos de pessoas como eu sempre mencionam: e se acontece comigo? Eu continuaria a pensar do mesmo jeito? Eu não me voltaria a uma estância superior, não buscaria conforto em deus, na religião ou coisa parecida?

    Pois coisas ruins já aconteceram comigo e eu não me voltei a nada porque não acredito que há nada. Quando estamos próximos à morte há um silêncio muito grande e uma solidão enorme. E eu tive mais que certeza que foi tudo por acaso. Randômico. Eram coisas ruins acontecendo com uma pessoa boa.

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    Liliana | Filosofando, Minha vida num sítio | Thursday, June 19th, 2008

    Além de bichos eu gosto de plantas.

    Desde de criança eu convivo com plantas no meu quarto, cuidando, regando, podando.

    Lembro que eu era menininha e tinha uma enorme plantação de feijões em algodão e embalagem de ovos.

    Quando mudamos para o apartamento, meu quarto era uma selva. Eu tinha uma batata num vaso pendurada no lustre que subia para o teto e dava folhagem por todo o lado. Eu não podia ver uma vaso bonito que eu comprava e levava para o quarto, meu reino particular.

    Quando casei e tive minha casa finalmente, eu arrumei minhas árvores. Era um apartamento minúsculo e na época era moda ter um vaso de Árvores da Felicidade, macho e fêmea. Também era moda ter fícus, chifléria… Eu tinha todos eles. E samambaia, renda portuguesa, orquídea. Até frequentei um orquidário durante um tempo para aprender a mexer nas orquídeas. Comprei livros, estudei, transplantei, enxertei…

    As plantas sempre me acompanharam em todos os lugares que eu morei. E sempre as mesmas, porque eu sempre cuidei muito bem delas.

    Nesses vinte e tantos anos que eu saí da casa de minha mãe e tenho minha própria casa, a maioria das plantas morreram. Muitas de velha, outras de doenças incuráveis, outras comidas por cachorros (essas foram as orquídeas devoradas pela Graça filhote). Porém, uma árvore permaneceu comigo num vaso durante todo este tempo: o fícus.

    Este fícus me acompanhou por mais de vinte anos  em seu vaso pequeno para o potencial de uma grande árvore que ele é a espera de seu local final.

    Há 3 anos, mudei-me para a casa que estou e finalmente senti que o fícus encontrou seu lugar: ao lado de minha casa. Ele saiu de seu vaso apertado e foi para a terra. E começou a crescer.

    Este fícus, na minha cabeça, representava meu casamento pois havia comprado para o apartamento de recém-casada. E para reforçar essa idéia, seu tronco era bipartido, representando as duas pessoas do casal.

    Passeando no meu jardim reparei algo estranho nele.

    Sua copa estava diferente. Algo faltava.

    Chegando mais perto pude constatar que um dos troncos foi decepado.

    Não sei como, nem porquê, nem quando.

    Só sei que agora só tem um tronco apenas. Mas o que sobrou está forte, bonito, verde, cheio de folhas.

    Não sei se acredito que é mais que uma coincidência. Mas é um fato.

    E o fícus me ficou mais simpático ainda e me compadeci dele por sofrer esta mutilação.

    Além do fícus existe outra árvore importante para mim aqui em casa: a paineira da frente.

    Ela foi plantada logo que o platô foi aberto há uns 9 anos atrás juntamente com as outras árvores do reflorestamento. Mas diferente das outras, ela cresceu mais que todas. Também não sei porquê. As outras paineiras que foram plantadas ao mesmo tempo estão pequenas e mirradas, bem diferentes dela. Esta está exuberante, linda, e até já deu uma flor. Uma só apenas, mas já deu uma flor.

    Não me perguntem a razão, mas a paineira também tem o tronco bifurcado. Porém, ao contrário do fícus, os dois galhos que derivam crescem fortes e simétricos.

    O que será que significa?

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    Liliana | Filosofando, Minha vida num sítio, São Francisco Xavier | Sunday, June 15th, 2008

    Adoro domingos silenciosos.

    Não é todo domingo que é silencioso aqui em São Francisco Xavier. Dia de festa tem música na praça e o som se transmite pelo vale todo e chega até aqui em casa. Nos dias de semana eu escuto o barulho das crianças na escolinha do outro lado, lá longe e meus cachorros respondem a cada gritaria.

    Domingo não. Domingo tudo fica calmo e quieto.

    E eu adoro silêncio.

    Minha música preferida no player é “OFF”.

    Tem pessoas que gostam de deixar TV ou som ligados para ficar um barulhinho de fundo enquanto fazem outras coisas. Eu abomino isso.

    Não é que eu não goste de música. Eu gosto. Mas quando eu vou escutar música, eu escuto música. Minha atenção é para a música e eu entro nela. Mas escuto pouca música. Só de vez em quando. Em ocasiões especiais.

    A trilha sonora da minha vida é o silêncio e meus pensamentos.

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    Liliana | Filosofando | Thursday, June 12th, 2008

    Casamento Sagrado Na Alquimia

    “Homens são práticos. Mulheres são emocionais.”

    Foi o que um amigo me falou numa conversa descompromissada. 

    Eu concordo.

    E eu em especial sou, como já me disseram, intensa. Eu vivo minhas emoções de forma total, entregue, até o fim, de cabeça na história, até o talo.

    É o meu jeito.

    De um lado, eu sofro mais. De outro, eu experimento emoções que a maioria das pessoas não atinge, nem passa perto. Preferem ficar num nível de segurança e território conhecido. Eu transito pelo desconhecido com facilidade.

    Essas incursões pelo desconhecido me levam a descobertas sobre mim mesma e a uma eterna transformação.

    Eu não paro de me redescobrir, entender e me transformar.

    A teoria de Freud dá muita ênfase no Complexo de Édipo. Resumindo, quando criança eu me apaixonei pelo meu pai e ao ficar adulta o objeto de paixão é transferido para outro homem. Porém, é comum a gente repetir os padrões do pai nos homens que a gente se apaixona.

    Se você tem um pai legal quando criança, sorte sua.

    Não foi meu caso.

    Eu casei com um homem que no fim se comportou como meu pai. E repetimos a relação de meu pai e minha mãe.

    Eu vi minha mãe ter crises depressivas e se sentir muito infeliz. Não realizada. Vi meu pai sabotando minha mãe. Vi um casal que em vez de se apoiar um no outro, eles se cobravam uma vida certinha e miserável em nome de um “amor”.

    Isso só acabou quando meu pai morreu jovem de infarto. 

    Depois, vi minha mãe querer repetir este padrão com outro homem. 

    Ela não aprendeu nada e morreu por causa disso.

    Eu aprendi e me divorciei daquele casamento infeliz.

    Mas eu ainda não tinha aprendido toda a lição.

    Logo em seguida estava eu de novo envolvida com alguém e a inércia era forte. Principalmente quando a gente está fraca e doente, cheia de problemas.

    E o tal novo relacionamento mostrava características semelhantes aos dos meus pais, do meu casamento, dos homens do passado da minha vida.

    Claro que tinha coisas boas. Mas meu casamento também tinha.

    E daí chegou uma hora dentro de mim que ou eu mudava ou eu perecia. Aquele modelo de relacionamento antigo que eu aprendi, o modelo de homem com que eu cresci, a dinâmica que eu estava acostumada eram incompatíveis com minha vida.

    E mesmo amando aquele homem como nunca havia amado alguém eu pedi que ele fosse embora.

    Nesses meses sozinha eu finalmente aprendi o resto da lição.

    Me livrei dos fantasmas do passado. Meu pai, meu avô, meus homens…

    Todas as figuras masculinas internalizadas foram analisadas, reanalisadas, sintetizadas, transformadas, excluídas, criadas em processos intensos, desgastantes, profundos e curativos.

    Como eu sempre digo, só os corajosos olham para dentro de si. Essa é Grande Obra do processo alquímico.

    Jung trouxe de volta à civilização ocidental a Alquimia.

    E a base da Alquimia é o Casamento Sagrado de nosso Animus e de nossa Anima.

    Eu passei um longo processo curando minha Anima, minha parte feminina. De mulher inserida em uma sociedade. Fiz as pazes com minha feminilidade há alguns anos. (Mulheres “fortes” sabem como isso é difícil.)

    Agora foi a vez de meu Animus, meu masculino que se curou.

    Hoje, Dia dos Namorados, vou comemorar esse Casamento Sagrado entre minhas partes.

    Foi uma longa jornada. Difícil. Sofrida.

    Mas valeu.

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz., Filosofando | Sunday, June 8th, 2008

    Saindo do Cartório Eleitoral na sexta-feira, com um estado de espírito não muito bom, recebo uma ligação no celular desesperada pedindo que eu me dirigisse até a casa de minha amiga para examinar o Xavier.

    “Acho que ele está morrendo.”

    Nem falei nada. Só respondi: estou indo. E fui.

    Eu sabia que ele havia piorado. Ele não reagiu bem. Não se levantou. Estava hemiplégico. Teve complicações pulmonares. Na minha opinião seu coração não estava bom (embora os veterinários dissessem ao contrário). Então eu no fundo sabia que ele mais cedo ou mais tarde iria morrer.

    Meu treinamento de neurocirurgiã e anos de experiência me dão essa visão fria e certeira.

    E quando eu o vi, estava lá um paciente morrendo. Foi só bater o olho e eu já sabia tudo. Médico tem disso. A respiração, o olhar, o jeito. A gente sabe.

    E minha amiga queria que eu examinasse o inexaminável.

    Eu sentei no sofá. Fumei um cigarro. Tomei água. Conversei um pouco. Enrolei.

    Enrolei.

    Ela ficou falando que já tinha decidido que queria que ele morresse. Que ela sentia que não tinha mais jeito. Que ele não ia melhorar. Que havia passado a noite anterior ao lado dele no colchonete no chão, se despedindo. Abraçada.

    Eu assenti confirmando que ele não ia melhorar e que ele estava morrendo.

    Ele alternava períodos de lucidez e coma.

    Mesmo assim, eu o examinei como ela pediu.

    Ela descreveu o enterro que já estava planejado. E o velório em casa.

    E tentava fazer ele beber água e oferecia ração batida no liquidificador. Ele às vezes tomava água.

    “Vou ligar para o Alexandre” - o veterinário, para sacrificá-lo. “Não aguento mais.”

    Eu quis ir embora porque não queria ver o Xavier ser morto. Eu não aguento mais mortes. Eu não aguento mais sofrimentos. Quis sair correndo dalí.

    Mas não consegui.

    Chorei e chorei pelo Xavier e por todas as mortes da minha vida. E tive a sensação que eu não quero mais ser médica. Eu já vi muita tristeza. Já deu. Cansei.

    E não quero mais ter que ser forte. Super-heroína. Só uma mulher normal.

    E como mulher normal eu chorei e desabei de tristeza pelo cachorro que eu tirei da rua. Batizei de Xavier. Briguei com veterinários que não queriam tratá-lo de uma pneumonia porque achavam que era cinomose há 10 anos atrás. Eu o alimentei, o vi se recuperar dos maus tratos do abandono. Comprei coleira e guia. E quando ele estava bem bonito, o dei de presente para esta amiga que o acolheu por estes 10 anos. Arrependi-me tanto de não ter ficado com ele na época que depois fiquei com o Gigio, seu irmão gêmeo.

    E a Liliana frágil não tinha condições de pegar estrada para voltar para casa. A Liliana forte poderia se obrigar a fazer esforços sobre-humanos e enfrentar 60 km. Mas a Liliana que surgiu, a que se cansou, não. Esta preferiu ficar quieta num quarto enquanto o veterinário dava a injeção. Esta dormiu num sofá-cama com roupas emprestadas na casa de uma amiga que a acolheu para viajar só quando estivesse bem para viajar.

    Esta acordou no dia seguinte renovada e foi num  Café novo tomar o desjejum. E achou o dia lindo.

    E fez mil planos.

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    Liliana | Admirável Mundo Velho, Filosofando | Tuesday, June 3rd, 2008

    Por incrível que pareça a tempestade passou.

    Junto com um dia lindo veio a sensação que tudo está encaminhado e eu consegui atravessar a fase ruim. Agora, como dizem, é só cumprir tabela até as dívidas estarem pagas e os planos de futuro, que já foram iniciados, se concretizarem.

    E o que sobrou? 

    Uma Liliana mais forte e segura de seus ideais. Segura que não há mal que sempre dure, como dizia Epicuro. Tranquila consigo mesma. Com amigos que suportaram junto comigo os tempos ruins e não saíram do meu lado, cada um ao seu jeito. E a estes amigos fica minha gratidão e amor.

    Os últimos seis meses da minha vida foram deveras agitados. Agora, respeitando a natureza, entra o ciclo de calmaria.

    Estou feliz com o blog. Estamos nos dando bem. Também estou me acertando com meu outro blog, o Poderosa Afrodite, que também está sendo um novo companheiro, achando o seu lugar na minha rotina nova de mulher de coração livre, leve e solto. Pouco a pouco vou voltando a escrever nos outros lugares com a qualidade que eu quero. Me aguardem. Eu chego lá.

    O que eu queria passar para vocês é que mesmo na pior hora, não vendo luz no fim do túnel, lá dentro eu sabia que as coisas iam melhorar. Sempre melhoram. O que não adianta é ficar se retraindo e se cristalizando num momento, numa posição, num pensamento, numa idéia, num “eu velho”. Tem que ter desprendimento de se largar e deixar de ser a gente para poder virar um “eu” melhor. Redescobrir-se. Ir pra frente. Repensar conceitos. E se aceitar.

    Quando acontece algo algo ruim com a gente temos uma oportunidade importante de nos conhecermos. E são essas informações que bem usadas vão nos transformar em alguém mais legal conosco. Mas temos que aceitar o que aparece sobre nós. Tipo: “é, eu sou isso mesmo, eu reagi assim mesmo. E agora?”

    Aceitação de quem se é não é fácil. Amar-se é um exercício diário. É fácil gostar de si quando tudo está bem.

    E o que eu mais vejo é gente que não se gosta e não se aceita. Que pena.

    Mas… Cada um que sabe da sua vida, não é?

    Você sabe da sua vida, eu presumo…

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    Banana By Accordion Chick

    Li o post da minha querida amiga Nospheratt sobre A Banalização das Coisas e imediatamente me veio à cabeça a expressão “Bananalização das Coisas”.

    Claro que todos nós queremos ser relevantes, escrever coisas que merecem ficar gravadas para a posteridade e que vão mudar a vida de quem nos lê.

    Ninguém quer passar em branco.

    Principalmente nesse mercado emergente de blogs e nova mídia que cada um luta como pode para se destacar e tirar o seu quinhão.

    Tudo que fazemos é escrutinado, analisado, julgado e temos o resultado imediato em comentários, cliques, visitas, links, convites, enfim, relevância.

    Mas é possível apenas produzir conteúdo relevante?

    Sim e não.

    Depende a quem se quer agradar.

    Se eu considerar que tudo que eu coloco no meu blog eu acho digno de ser exposto e trabalhado e compartilhado, meu conteúdo é sim relevante para mim. E com sorte, alguns leitores acharão que ele vai ser relevante também.

    Porém, se eu apenas colocar conteúdo visando atingir determinado objetivo externo a mim, muitas vezes eu restrinjo as informações que eu posso passar. E, para mim, o meu blog passa a ter um peso e uma cobrança muito diferente de sua intenção inicial.

    Talvez por ter esta postura de “dar uma banana” para o que é “esperado” e fazer exclusivamente o que me dá prazer é que eu não atinja a relevância de blogueiros profissionais. Mas eu não escrevo para um nicho específico. Eu escrevo para compartilhar o prazer que é ter um blog. Eu escrevo para promover o meu bem-estar e o dos outros. O resto é secundário.

    Acho que estou divagando muito.

    O que eu queria mesmo dizer é: façam o que têm vontade! Façam o lhes dá prazer! Blogar tem tudo a ver com uma atividade prazerosa e agradável. Sem cobranças. Sem regras. Blogar é a anarquização de informações. (Anarquia no bom sentido.)

    Por favor, não se levem muito à sério. Divirtam-se.

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    Eu acho que comentei por aqui, ou não, não sei, que o correspondente de filme do Sob O Sol Da Toscana para os homens é Um Bom Ano, com Russel Crowe.

    Esses dois filmes deviam ser obrigatórios para homens e mulheres.

    Achei bem legal minha amiga Joaninha dar o nome ao seu blog LadybugBrazil por causa do Sob O Sol da Toscana.

    Vou explicar para quem não sabe do que se trata.

    Em ambos os filmes temos dois adultos solitários, tristes. Cada um viaja para um local diferente. A mulher vai para a Toscana, na Itália e compra uma casa velha e a reforma. O homem herda um vinhedo na França caindo aos pedaços e o ergue de novo. Nestes processos de reforma de lugares velhos e abandonados, os protagonistas vão se modificando e se descobrindo como pessoas diferentes do que imaginavam ser até então.

    A mulher, que queria tanto um monte de coisas, como um amor, uma família, um casamento, aprende nesse processo a levar sua vida e ficar numa posição mais receptiva para que “as joaninhas possam chegar até ela”. Ou seja, a gente deve levar nossa vida por nós, sem depender de ninguém, sem esperar nada, e quando a gente menos esperar, estaremos cobertos de ladybugs (joaninhas).

    O homem no vinhedo tinha tudo que ele achava que queria: dinheiro, poder, mulheres. Mas ao se deparar com a vida completamente diferente e com valores completamente diferentes, ele se reavalia. E percebe que o que ele tinha antes na verdade não valia nada. O vinhedo era de seu tio e ele não entendia a vida que o tio escolhera. Depois, ele passa a entender, inclusive o porquê de seu tio ter deixado o vinhedo para ele.

    Ambos os protagonistas saíram de grandes cidades, tiveram revezes na vida, foram parar em ambientes bucólicos caindo aos pedaços e reconstruíram esses lugares ao mesmo tempo que descobriam novos valores para si mesmo.

    Lembra alguém?

    Pois é. São Francisco Xavier… Preciso dizer mais?

    E hoje eu acordei exatamente com a sensação da mulher do filme: satisfeita.

    Que venham as joaninhas!

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  • Burro, Sapo e Urubu

    Liliana | Filosofando | Wednesday, May 7th, 2008

    Para uma atéia e cética como eu fica difícil achar consolo e esperança fora de mim mesma.

    Quando acontece um monte de coisas chatas na vida, a gente fica querendo que aconteça algo bem legal que compense toda a tristeza e chateação, como se a gente “merecesse” depois do sofrimento.

    Até há poucos minutos atrás eu tinha a impressão que um urubu havia pousado em meus ombros, um sapo estava enterrado com a boca costurada com meu nome dentro e uma caveira de burro estava enterrada no meu jardim. E por isso, eu “merecia” uma compensação de felicidade. Um quantum de alegria para neutralizar as coisas ruins.

    Mas eu não acredito em nada disso.

    Eu não acredito em leis de carma, não acredito que depois serei recompensada numa outra vida ou muito menos que estou pagando algo agora.

    E meu desejo que “algo bom acontecesse logo porque está foda” estava me atrapalhando também, porque eu não acredito que apenas com o meu desejo algo bom iria acontecer. Eu não sou magica.

    Então eu comecei a ver o que já estava bom na minha vida. As coisas que não estavam erradas. As coisas legais. E pude perceber que entre coisas chatas e tristes minha vida continuava lá, bonitinha, tranquila e legalzinha.

    E que as coisas chatas eram como engolir remédio ruim: uma colherada de coisa amarga que a gente experimenta, faz cara feia e toma um gole de coca-cola por cima para tirar o gosto. E o remédio ruim faz seu efeito na gente e é só dar um tempo para que ele pare seu efeito. E depois a gente fica bom de novo.

    Não tem mágica, não tem nada de sobrenatural.

    É só a vida mesmo. Que tem fases. Fases completamente aleatórias, fractalmente falando.

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz., Filosofando | Sunday, May 4th, 2008

    Arte de amar

    Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
    A alma é que estraga o amor.
    Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
    Não noutra alma.
    Só em Deus – ou fora do mundo.
    As almas são incomunicáveis.
    Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
    Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

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  • Algumas Poesias de Quando Eu Era Jovem

    Liliana | Filosofando | Monday, April 28th, 2008

    Lá pela década de 70, em plena adolescência, eu ganhei de minha avó a coletânea de poemas de Manuel Bandeira. 

    Eu também li muitos outros poetas, mas Manuel ficou meu preferido. Eu levava este livro para cima e para baixo e ele me acompanha até o presente.

    Hoje resolvi abri-lo e reparei que marquei 3 poemas com meu nome e uma seta enorme do lado. Provavelmente estes poemas deveriam ter sido meus preferidos na época, os mais marcantes. Relendo-os vejo que realmente são muito reveladores.

    Agora para vocês, “meu” Manuel Bandeira:

    Oceano

    Olho a praia. A treva é densa.
    Ulula o mar, que não vejo,
    Naquela voz sem consôlo,
    Naquela tristeza imensa
    Que há na voz do meu desejo.

    E nesse tom sem consôlo
    Ouço a voz do meu destino:
    Má sina que desconheço,
    Vem vindo desde eu menino,
    Cresce quanto em anos cresço.

    - Voz de oceano que não vejo
    Da praia do meu desejo… 

    Temas E Voltas

    Mas pra quê
    Tanto sofrimento,
    Se nos céus há o lento
    Deslizar da noite?

    Mas pra quê
    Tanto sofrimento,
    Se lá fora o vento
    É um canto na noite?

    Mas pra quê
    Tanto sofrimento,
    Se agora, ao relento,
    Cheira a flor da noite?

    Mas pra quê
    Tanto sofrimento,
    Se o meu pensamento
    É livre na noite?

    Unidade

    Minh’alma estava naquele instante
    Fora de mim longe muito longe

    Chegaste
    E desde logo foi verão
    O verão com suas palmas os seus mormaços os seus ventos de sôfrega mocidade
    Debalde os teus afagos insinuavam quebranto e molíce
    O instinto de penetração já despertado
    Era como uma seta de fogo

    Foi então que minh’alma veio vindo
    Veio vindo de muito longe
    Veio vindo
    Para de súbito entrar-me violenta e sacudir-me todo
    No momento fugaz da unidade.

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    Liliana | Agora que eu sei disso, posso morrer em paz., Filosofando | Wednesday, April 23rd, 2008

    Eu detesto aquele italiano idiota que fez aquele filme piegas. A única coisa boa do filme é que no final metem uma bala nele e o palhaço morre. 

    Já disse que odeio palhaços?

    A vida não é bela nada.

    A vida é foda.

    Foda tem muitos sentidos: pode ser coisa boa e coisa ruim. Mas foda é foda.

    A vida é foda.

    No momento, digo e escrevo com a boca cheia “A Vida É Foda”. 

    Crianças eu sei, acreditem.

    Italiano idiota. 

    Minha avó está morrendo neste instante no mesmo hospital em que estive. Lá longe em São Paulo. Eu não posso fazer nada daqui. Nem ir para lá porque estou de repouso.

    Não tenho pais, é minha última avó.

    Enquanto eu estava sendo atendida no Pronto Socorro, ela estava internada no mesmo lugar e eu não sabia. 

    Quando a gente acha que já deu. Acontece mais uma coisinha só.

    Como eu queria ter um  ghost-writer para exorcizar tudo num livro. (Alguém se habilita?) Eu sinceramente não tenho paciência para textos longos. 

    Complacência é uma das minhas melhores qualidades. 

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    Liliana | Filosofando, Minha vida num sítio | Friday, April 11th, 2008

    Lendo o livro da Maitê deu uma satisfaçãozinha porque minha vida dava um livro sim.

    Mas dá uma preguiça escrever…

    Então por enquanto, vou fazendo o blog. 

    E você? Está vivendo sua vida como deve ser vivida, dando o valor que ela merece?  

    Você é o protagonista de seu livro? 

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    Liliana | Filosofando | Monday, March 31st, 2008

    Envelhecer é um processo de encinicamento.

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