Estava toda contente conversando com um amigo pelo Skype e contando para ele que eu acabava de receber a atualização do Blog de Ocupação da USP o qual mostrava que o pessoal de lá está recebendo apoio de várias partes do mundo. Meu amigo disse: de quase todo mundo. “Como assim?” perguntei eu. Você leu o Cardoso? - interrogou ele. Não, singelamente respondi. Vou lá ver.
Qual não foi minha surpresa quando li o post intitulado “A Questão da USP”.
Minha primeira reação foi de soltar um grande PUTAQUEOPARIU! nos comentários dele, mostrando meu embasbacamento. Logo depois, achei melhor e mais educado trazer minha resposta aqui para o meu próprio blog.
Então vamos lá. Vamos analisar o que nosso querido Cardoso escreveu.
“Considerando;
que a grande chiadeira dos alunos é para manter o sigilo do uso de recursos que não são seus;
Não, caro amigo, a chiadeira deles não é por causa do sigilo dos recursos financeiros. Eles estão bravos porque a Ciência sempre foi distinta da Política. A Ciência deve ser mantida longe de interesses políticos e econômicos. Eles estão bravos porque estão tirando a autonomia das Universidades, que são bastiões de Liberdade de Pensamento e são nelas que tudo se inicia, as novas idéias, as novas tecnologias, as pesquisas. E as pessoas têm que ser livres para poder pensar o que quiserem para a Ciência florescer. Eles estão lutando a favor da liberdade de pensamento de todos os brasileiros em última instância.
que a invasão reclama de uma proposta de Universidade voltada para o Mercado;
Exatamente, nem o mercado nem qualquer sistema econômico deve ser determinante ao livre pensar. Não se pode atrelar a oferta e a procura quando se trata de pensamentos e idéias a nível acadêmico. A Educação não é para auferir lucros. É um direito de cada cidadão.
que um professor de renome mundial foi agredido com cadeiradas ao tentar sair de um prédio;
Não foi bem isso que li na matéria do Terra:
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI1634154-EI306,00.html
“…Os alunos teriam retirado as cadeiras das salas e as empilhado em várias partes do prédio. Elcio Abdala, que é professor titular da faculdade há 20 anos, entrou no prédio para lecionar. Mesmo impedido, ele tentou repor as cadeiras nas salas e disse que foi agredido. Abdala apresenta arranhões e hematomas e registou queixa de agressão no Distrito Policial do Butantan.
Os alunos alegam que o professor teria quebrado o celular de um deles e agredido outro, de acordo com Vitor Belo, 24 anos, estudante da faculdade. Belo afirmou o professor é conhecido entre os alunos como “general”….” (negrito meu)
que alunos que querem apenas estudar são ameaçados em sua integridade física;
Bem, não estou lá. Não concordo com ameaças a integridade física de ninguém. Mas acho que estudante que insiste em furar uma greve decidida em assembléia legítima não tem o mínimo de personalidade política nem cidadania. Se não quisesse estar em greve era só ir votar na assembléia contra a greve e contra a ocupação. Uma vez fazendo parte de um corpo de estudantes você tem os direitos e deveres de pertencer ao grupo.
que 240 alunos decidiram uma invasão e estão atrapalhando a vida de todos os que querem estudar;
Como já expliquei, ao entrar para um corpo discente, existem direitos e deveres. Inclusive escolher seus representantes por meio de centros acadêmicos e associações. Ninguém está à margem da sociedade ou do grupo. Depois não pode reclamar que as coisas aconteceram sem a sua anuência.
que Mao morreu, Lenin morreu, Stalin morreu, Deng morreu, Che morreu, Prestes morreu, Marx morreu e Fidel não se sente muito bem;
Comparar os estudantes da USP a líderes revolucionários mortos de esquerda não é uma boa comparação. Esses líderes representam épocas que já passaram de situações que não se sustentaram e visavam atitudes políticas e econômicas. Os estudantes, professores e funcionários da USP e de outras Universidades que também aderiram aos protestos contra os decretos do governador José Serra lutam pela autonomia de um Bem Maior, a Liberdade de Pensamento Científico. Tal liberdade é luta justa em qualquer lugar, qualquer tempo e em qualquer regime. Se você, Cardoso não percebe a diferença, querido, não posso fazer mais nada.
só posso concluir uma coisa:
Que falta faz o saudoso Coronel Ubiratã Guimarães.
Aqui você coloca que a solução para a situação atual da ocupação da reitoria é um massacre dos estudantes semelhante ao massacre realizado pelo coronel Ubiratan lá no Carandirú em 1992, quando 111 pessoas foram mortas. Você mostra que além de achar que bandido tem mais é que morrer, todo mundo que não se comporta direitinho do jeitinho que todos esperam que a gente se comporte deve morrer também. E que a gente não pode se fazer ouvir pelos governantes. Os decretos apareceram no começo do ano mas a reitoria só foi ocupada como forma de protesto em maio, indicando que as outras formas de chamar a atenção de quem devia prestar a atenção não havia funcionado.
Eu espero que as conversações por lá continuem e os decretos não vigorem.
A Liberdade de Pensamento, qualquer pensamento, é fundamental para o indivíduo e para a sociedade. E só se tem Liberdade Verdadeira com livre acesso à Educação Livre.
Compartilhe!